A parte mais importante do dia de hoje era cruzar a fronteira entre Marrocos e a Mauritânia. Antes e depois tratava-se apenas de fazer kilómetros, pois era tudo desértico e não havia nada para ver nem para fazer.
De Dakhla até á fronteira eram aproximadamente 350 kilómetros. Devíamos chegar á fronteira antes das 13:00 ou depois das 15:00, pois durante essas duas horas a fronteira fechava para a hora de comer e de rezar.
Sair de Marrocos e entrar na Mauritânia não é um processo nem fácil nem rápido. Podemos chegar a demorar mais de 7 horas para sair de um país e entrar no outro, passando por diferentes níveis.
Nível 1:
Nesta primeira parte, temos que preencher um formulário, que temos que pedir logo que chegamos. Depois de preenchido, temos que entregar o formulário e o passaporte a um polícia que está no edifício mais longe de todos. Esse mesmo polícia manda-nos embora e então temos que ficar á espera. Durante essa espera um polícia confirma que preenchemos tudo correctamente para depois passar tudo a um outro polícia que insere todos os nossos dados á mão num grande caderno quadriculado. Este processo é bastante demorado e pode demorar até 2 horas. Depois de muita espera lá nos devolvem o passaporte carimbado.
Nível 2:
Depois de conseguir o carimbo no passaporte, vamos até à aduana. Aqui temos que apresentar os papéis do carro e um documento que nos deram no barco quando cruzámos de Almeria para Nador. É bom que não tenhamos perdido este documento, porque senão podemos dar meia volta e voltar para Nador. Uma vez apresentados os documentos, eles carimbam um dos exemplares para que podamos passar à parte da inspecção.
Nível 3:
Depois de esperar que chegue a nossa vez, temos que mostrar ao polícia os documentos do carro, e o documento que nos tinham dado respectivamente carimbado. Depois de confirmar tudo começa a inspecção ao carro que basicamente consiste em procurar qual o melhor “cadeux”. Depois de escolher o que quer (e ainda perguntar se não tínhamos mais tamanhos), lá nos manda prosseguir. Este polícia é vigiado por um outro polícia que por sua vez é vigiado por um outro que leva um walkie-talkie.
Nível 4:
Depois de passar pela polícia e pela aduana, falta passar pela Gendarmarie. Enquanto a polícia é sempre local, a Gendarmarie é como uma polícia nacional, que está encarregue da segurança do reino. Aqui um oficial entrega-nos um número de serie e temos que esperar numa fila. Lá dentro um outro oficial volta a inserir todos os nossos dados num grande caderno quadriculado. O número de serie que nos foi entregue dá-nos uma ideia de quanto tempo temos que esperar. Cada número demora aproximadamente 3 minutos…
Nível 5:
Depois de chegar a nossa vez, podemos ir para a Mauritânia. Esta será certamente a parte mais perigosa de toda a viagem. Desde a fronteira de Marrocos até à fronteira da Mauritânia, são aproximadamente 5 kilómetros pelo deserto. Esta é chamada a “No-Man’s Land” – Terra de Ninguém. Esta é uma zona livre onde não entram nem os militares de Marrocos nem os militares da Mauritânia e onde tudo é possível. Não convêm sair dos trilhos já marcados, pois mesmo ao lado há o risco de minas. Ao longo de todo o percurso vemos carros que pisaram minas, vemos compra e venda de matrículas, carros que estão estacionados sem matrícula à espera que alguém os compre, e muitas outras coisas bastante duvidosas. Somos avisados para tentar chegar ao outro lado o mais rapidamente possível e sem paragens.
Nível 6:
Neste nível temos que entregar os passaportes a um polícia. Convêm também entregar algum cadeux.
Nível 7:
Nesta altura teríamos vários militares a inspeccionar o nosso carro. Como tínhamos um guia que já tinha falado com os militares e explicado que fazíamos parte de um Rally organizado, este processo foi mais rápido do que o normal.
Nível 8:
A Aduana é a última parte de todo este processo. Temos que registar o carro, e pagar 10€. Uma vez mais temos que conservar este documento até à saída da Mauritânia, senão podemos ter sérios problemas.
Depois de conseguir finalmente entrar na Mauritânia, tivemos que conduzir 90 kilómetros até ao Bivouac oficial. Primeiro dia de Hotel Quechua! O Bivouac era em pleno deserto. Pediram-nos para estacionarmos todos em círculo e montarmos as tendas do lado de dentro. À nossa volta, tínhamos outro circulo formado por jipes militares armados que nos vigiaram durante toda a noite.
2 comentarios:
Não é possível! Eu bem dizia que devia ficar quieta e só ver desenhos animados, mas isto é um vicio que só vai passar daqui a pouco mais de dez dias!Boa viagem
e beijos
Eu sei que a foto do tropico de cancer é para mim...
Obrigada
Beijos
RS
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